Exame da OAB: por que a reprovação continua tão alta?

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46º Exame de Ordem reacende debate sobre a dificuldade da prova e os desafios enfrentados pelos bacharéis em Direito

Passar no Exame da Ordem continua sendo um dos grandes desafios para quem conclui a graduação em Direito no Brasil.

Os números do 46º Exame de Ordem Unificado chamam a atenção para essa realidade. Segundo os dados divulgados sobre o certame, mais de 171 mil candidatos se inscreveram, enquanto 25.693 obtiveram aprovação final. Em termos aproximados, isso representa cerca de 15% do total de inscritos.

O resultado reforça uma realidade já conhecida por estudantes e bacharéis: o diploma de Direito, por si só, não garante o ingresso na advocacia.

Para exercer a profissão, é necessário também ser aprovado no Exame de Ordem, requisito previsto para a inscrição nos quadros da OAB. A própria Ordem dos Advogados do Brasil confirma que o exame pode ser realizado por bacharéis em Direito e também por estudantes que estejam no último ano ou nos dois últimos semestres da graduação.

Uma prova que exige muito mais do que conhecimento jurídico

A discussão sobre a reprovação na OAB muitas vezes acaba reduzida a uma pergunta: a prova é difícil?

Mas essa talvez não seja a melhor forma de analisar o problema.

O Exame de Ordem exige do candidato uma combinação de fatores: conhecimento jurídico, capacidade de interpretação, controle do tempo, estratégia de prova, domínio da legislação e, principalmente, preparação específica para o modelo de avaliação utilizado pela banca.

Na primeira fase, o candidato enfrenta 80 questões objetivas, abrangendo diversas áreas do Direito e disciplinas complementares.

Já a segunda fase possui uma dinâmica completamente diferente. O candidato precisa elaborar uma peça profissional e responder a quatro questões discursivas dentro de uma área jurídica escolhida no momento da inscrição.

No 46º Exame, as opções incluíram Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito Empresarial, Direito Penal, Direito do Trabalho e Direito Tributário.

Ou seja: não basta simplesmente “saber Direito”. É necessário saber demonstrar esse conhecimento exatamente da forma exigida pela prova.

A segunda fase é um desafio à parte

Quem chega à segunda fase já superou uma importante barreira.

Mas isso não significa que a aprovação esteja garantida.

A prova prático-profissional exige que o candidato identifique corretamente a medida jurídica cabível, estruture a peça de acordo com os requisitos técnicos, desenvolva a fundamentação jurídica e responda às questões discursivas de maneira objetiva e fundamentada.

Além disso, existe um elemento que costuma gerar grande ansiedade: a pontuação é extremamente importante em cada item da prova.

Um candidato pode conhecer o conteúdo jurídico e, ainda assim, perder pontos por não identificar corretamente uma tese, deixar de desenvolver determinado fundamento ou não apresentar a resposta dentro da estrutura esperada.

Por isso, a preparação para a segunda fase precisa ser diferente daquela utilizada para a primeira.

E quando a reprovação acontece por poucos décimos?

Esse é outro ponto que merece atenção.

A segunda fase possui caráter eminentemente prático e discursivo. Por isso, a correção pode fazer uma diferença significativa no resultado final.

No 46º Exame, a OAB divulgou inicialmente o resultado preliminar da segunda fase e abriu prazo para apresentação de recursos. Posteriormente, em 29 de julho de 2026, foi divulgado o resultado definitivo após a análise dos recursos.

Isso demonstra a importância de o candidato não considerar o resultado preliminar como necessariamente definitivo.

Quem ficou próximo da nota necessária deve analisar cuidadosamente o espelho de correção, comparar a resposta apresentada com o padrão divulgado pela banca e verificar se existem fundamentos para a interposição de recurso.

Em determinadas situações, alguns décimos podem representar a diferença entre a reprovação e a tão esperada aprovação.

Reprovar na OAB não significa não ser capaz de advogar

Existe também um aspecto humano que não pode ser ignorado.

A reprovação no Exame de Ordem costuma ser acompanhada de frustração, especialmente para quem passou cinco anos ou mais estudando Direito e acreditava que a aprovação seria uma consequência natural da conclusão da faculdade.

Mas é importante separar as coisas.

Não passar na OAB não significa necessariamente falta de capacidade profissional.

O exame possui um formato específico, com regras próprias, tempo determinado e critérios de correção que precisam ser conhecidos pelo candidato.

Por isso, uma reprovação pode representar muito mais uma necessidade de mudança na estratégia de preparação do que uma falta de capacidade jurídica.

É preciso identificar onde ocorreu o erro: conhecimento? interpretação? administração do tempo? escolha da peça? fundamentação? estrutura da resposta? ansiedade? falta de treinamento?

A partir desse diagnóstico, a preparação pode ser muito mais eficiente.

O que os números do 46º Exame ensinam para quem vai fazer a OAB?

Mais do que assustar, os números devem servir como um alerta.

A aprovação exige preparação.

Para a primeira fase, é fundamental conhecer o perfil das questões, revisar os assuntos mais cobrados, resolver provas anteriores e acompanhar o próprio desempenho por disciplina.

Para a segunda fase, a preparação precisa ser ainda mais direcionada.

Não basta estudar a legislação. É necessário treinar peças, questões discursivas, identificação da medida cabível, fundamentação jurídica e administração do tempo.

Também é importante conhecer o padrão de correção da banca e entender como a pontuação é distribuída.

Quanto mais o candidato treina dentro das condições reais da prova, menor tende a ser a surpresa no dia do exame.

A alta reprovação também provoca uma reflexão sobre o ensino jurídico

Os números do Exame de Ordem levantam ainda uma discussão maior: o ensino jurídico brasileiro está preparando adequadamente os estudantes para a prática profissional?

O problema não pode ser atribuído exclusivamente ao aluno.

A formação jurídica envolve teoria, interpretação, argumentação, prática profissional e capacidade de aplicação do Direito a situações concretas.

Quando milhares de estudantes concluem a graduação e encontram uma enorme dificuldade para superar uma avaliação profissional, é legítimo questionar se existe uma distância entre o conteúdo aprendido durante a faculdade e aquilo que efetivamente é exigido no exercício profissional.

Por outro lado, também é necessário reconhecer que o Exame de Ordem possui uma finalidade própria: verificar se o candidato apresenta conhecimentos e habilidades considerados necessários para sua inscrição nos quadros da OAB.

Portanto, o debate precisa ir além da simples discussão sobre uma prova “fácil” ou “difícil”.

O que fazer depois de uma reprovação?

Se você não foi aprovado, o primeiro passo não deve ser simplesmente começar a estudar tudo novamente.

É preciso descobrir por que você não passou.

Na primeira fase, faça um levantamento das questões erradas e identifique quais disciplinas apresentam maior dificuldade.

Na segunda fase, analise o espelho de correção e verifique exatamente onde os pontos foram perdidos.

E, principalmente, não ignore a possibilidade de recurso quando houver fundamento técnico para questionar a correção.

A reprovação pode ser um momento de frustração, mas também pode servir como diagnóstico.

O candidato que identifica seus erros e modifica sua estratégia para a próxima prova começa uma nova preparação em uma posição muito diferente daquela em que estava na primeira tentativa.

Mais do que passar: estar preparado

O Exame de Ordem é uma etapa importante na trajetória de quem deseja advogar.

Os dados do 46º Exame mostram que chegar à aprovação exige planejamento, preparação e conhecimento específico sobre a dinâmica da avaliação.

E talvez essa seja a principal lição:

não basta estudar mais. É preciso estudar melhor e estudar de acordo com aquilo que a prova realmente exige.

A aprovação na OAB não acontece por acaso.

Ela é resultado de conhecimento, estratégia, treinamento e, muitas vezes, da capacidade de analisar os próprios erros e corrigir a rota.

Para quem está se preparando para os próximos exames, os números podem assustar.

Mas também podem servir como motivação para uma preparação mais consciente, direcionada e estratégica.

Porque, no final, a pergunta não deve ser apenas “quantas pessoas são reprovadas na OAB?”

A pergunta mais importante é:

“O que eu preciso fazer de diferente para estar entre os aprovados?”

Fontes

A OAB disponibiliza informações oficiais sobre o 46º Exame de Ordem, incluindo os resultados da primeira e da segunda fases, padrões de resposta e recursos.

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