Reforma Tributária provoca corrida para doação de imóveis: quem deixar para depois pode pagar muito mais

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Nos últimos meses, um movimento tem chamado a atenção de advogados, cartórios e planejadores patrimoniais em todo o Brasil: milhares de famílias estão antecipando a doação de imóveis aos filhos e herdeiros antes que as novas regras da Reforma Tributária entrem em vigor.

Essa corrida não acontece por acaso.

A principal preocupação é o aumento da tributação sobre heranças e doações, o chamado ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação). Embora muitos brasileiros ainda estejam focados apenas nas mudanças envolvendo IVA, CBS e IBS, existe outra alteração que pode impactar diretamente o patrimônio das famílias: a forma como Estados irão cobrar o imposto sobre sucessões e doações.

O que muda com a Reforma Tributária?

A Emenda Constitucional nº 132/2023 determinou que os Estados deverão adotar alíquotas progressivas do ITCMD.

Na prática, isso significa que o imposto deixará de ser, em muitos casos, uma alíquota única para passar a variar conforme o valor do patrimônio transmitido.

Em outras palavras:

  • quanto maior o patrimônio;
  • maior poderá ser a alíquota do imposto.

Cada Estado editará sua própria legislação para definir essas faixas de tributação, mas a tendência é clara: patrimônios de maior valor poderão sofrer uma carga tributária significativamente superior à atual.

Por que tantas pessoas estão doando imóveis agora?

A resposta é simples: planejamento.

Quem realiza uma doação hoje aplica a legislação vigente no momento da transmissão.

Quem deixar para depois poderá estar sujeito às novas regras estaduais, que podem representar um custo muito maior para a família.

Não se trata de “fugir de imposto”, mas de utilizar um instrumento absolutamente legal chamado planejamento patrimonial e sucessório.

É exatamente isso que empresários, produtores rurais e famílias com patrimônio relevante fazem há muitos anos.

Um exemplo prático

Imagine uma família que possui um imóvel avaliado em R$ 3 milhões.

Atualmente, em muitos Estados, o ITCMD é cobrado por uma alíquota fixa.

Se, após a regulamentação da Reforma Tributária, o Estado instituir alíquotas progressivas para patrimônios mais elevados, o valor do imposto poderá aumentar de forma significativa.

O resultado?

A mesma doação poderá custar dezenas ou até centenas de milhares de reais a mais simplesmente porque o planejamento foi deixado para depois.

Não é apenas sobre imposto

Muitas pessoas acreditam que planejamento sucessório significa apenas “dividir os bens antes de morrer”.

Na verdade, ele envolve muito mais.

Um bom planejamento pode:

  • evitar conflitos familiares;
  • reduzir custos com inventário;
  • proteger o patrimônio da família;
  • garantir segurança jurídica;
  • organizar empresas familiares;
  • estabelecer regras para administração dos bens;
  • proteger cônjuges e herdeiros;
  • diminuir a carga tributária dentro dos limites da lei.

Ou seja, não é apenas uma economia financeira, mas uma forma de preservar o patrimônio construído ao longo de uma vida inteira.

Doar agora é sempre a melhor opção?

Não.

Esse é justamente o maior erro cometido por muitas famílias.

Cada caso precisa ser analisado individualmente.

Existem situações em que a doação imediata faz muito sentido.

Em outras, pode ser mais vantajoso utilizar outros instrumentos, como:

  • testamento;
  • holding familiar;
  • cláusulas de usufruto;
  • reserva de usufruto;
  • incomunicabilidade;
  • impenhorabilidade;
  • planejamento empresarial.

A decisão nunca deve ser tomada apenas porque “o imposto vai aumentar”.

Ela deve fazer parte de um planejamento jurídico completo.

A Reforma Tributária exige preparação

Durante muito tempo, o planejamento sucessório foi visto como algo reservado para milionários.

Essa realidade mudou.

Com as alterações promovidas pela Reforma Tributária, cada vez mais famílias da classe média, empresários e proprietários de imóveis precisarão analisar como proteger seu patrimônio antes que as novas regras produzam todos os seus efeitos.

Quem se antecipa normalmente possui mais alternativas, mais segurança e melhores condições para organizar a sucessão patrimonial.

Quem deixa para agir apenas quando a legislação já mudou costuma ter menos opções e, muitas vezes, arcar com custos muito maiores.

O melhor momento para planejar é antes da mudança

A Reforma Tributária representa uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas.

Embora grande parte da atenção esteja voltada para empresas e novos tributos sobre o consumo, as mudanças relacionadas ao patrimônio familiar merecem a mesma preocupação.

Esperar a regulamentação definitiva para só então pensar em planejamento pode significar perder oportunidades importantes de economia tributária e organização patrimonial.

Se você possui imóveis, empresa, patrimônio acumulado ou pretende organizar a sucessão da sua família, este é o momento ideal para buscar orientação jurídica especializada.

Planejamento sucessório não é gasto. É proteção patrimonial.

E, diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária, quem se prepara hoje poderá evitar custos muito maiores no futuro.

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